Sou portadora de uma patologia chamada "Epilepsia", que foi diagnosticada aos 7 anos de idade.Lembro que, quando comecei a ter as primeiras crises - que foram caracterizadas pelo meu Neurologista de 'crises de ausência' - algumas pessoas achavam que eu queria chamar a atenção de minha mãe, mas o coração de mãe sempre fala mais alto não é mesmo?!... E foi aí que minha mãe decidiu que deveria levar-me ao médico.
Pois bem... após passar por consulta, exames, eletroencefalograma e diagnóstico, começamos o tratamento com medicação anti-convulsivante.
Quando completei 11 anos de idade, meu Neurologista da época decidiu ir reduzindo a medicação aos poucos, com o objetivo de tirá-la de vez; Pois desde o início do tratamento não apresentava mais as 'crises de ausência', embora existissem evidências ainda nos EEG's realizados (era feito um eletroencefalograma por ano). Quase 1 ano sem medicação veio a surpresa... uma nova crise, ainda mais forte, evoluindo para 'convulsão'.
Após este período, nunca mais parei o tratamento; Há 17 anos faço uso de medicamento e uma vez ao ano faço EEG (tenho uma coleção já!). A infância com 'epilepsia' não foi tão ruim, mas em compensação a adolescência... Em todas as festas que frequentava alguém vinha me oferecer bebida alcoólica (de cerveja à uísque) e eu sempre respondia "não, obrigada. Eu não bebo." Quando eu respondia isso sempre me questionavam o 'por quê'... Confesso que não era nada agradavél explicar.
A minha melhor amiga um dia me disse que não sabia como eu conseguia fazer festa sem beber... Respondi que a minha diversão era ver o 'porre' alheio, os 'fiascos' (e muitas vezes, quem socorria os 'bebuns' era eu, já que era a única sã das baladinhas).Uma vez um amigo meu, que não tinha conhecimento de minha patologia, me disse "Pára Taísa, você era a que mais estava de porre ontem!" , isso porque eu sempre fui alto-astral, festeira, alegre e hiper-divertida.
Nunca senti falta de bebida, nunca precisei disso para fazer uma festa; Até hoje não sei o gosto de uma mísera cerveja (só através do beijo de meu marido que sinto o sabor de cerveja e caipirosa). A epilepsia proporcionou-me o 'não beber' e não perder nada, absolutamente nada com isso; Na verdade só ganhei: vi muitas pessoas passando mal em virtude do imenso porre que tomavam, vi muitas mulheres ficarem extremamente vulgares após um mísero gole de bebida alcoólica (como se a bebida revelasse a 'verdadeira mulher' que existia dentro de cada uma). Mas cada um cada um, não é mesmo?
A parte mais triste da epilepsia foi (e é) o preconceito; Algumas pessoas já falaram que tenho uma 'maldição de possuir uma doença incurável', outras chegam a dizer que 'não entendo como ela é doente e ainda trabalha na área da saúde'... É, a falta de informação de algumas pessoas chega a doer, pura ignorância.
E aí eu fico me perguntando: "Que diabos significa ser normal?" Mesmo tendo saúde, sendo inteligente (desculpem-me mas sempre tirei notas boas na escola), tendo educação, bondade no coração, tendo qualidades e defeitos, tendo acertado e errado algumas vezes, mesmo assim - só pelo fato de ter uma patologia - não sou considerada 'normal'? Pura falta de cultura e preconceito, concordam?
Mesmo não sendo 'normal' (dentro dos conceitos da sociedade), prefiro ser assim... Diferente! Ser diferente, é ser insubstituível, me torna única... A epilepsia me fez ver que não tenho limitações, mas sim que tenho novos horizontes a percorrer em minha jornada...
Um abraço e bom domingo para todos!

o começo da doença eu acompanhei,mas isso não impede de levar uma vida normal....
ResponderExcluirser feliz!!!!amar e sr amada!!!