Há mais de 10 anos eu não 'colocava os pés' na cidade de Rosário do Sul, município da região da fronteira do nosso Estado. Na verdade, cheguei na cidade atrasada demais... (mas isso vocês, caros leitores, irão entender ao longo deste post!)
A medida em que me aproximava da cidade a nostalgia foi tomando conta de mim... A doce lembrança de minha infância, as brincadeiras com os primos e primas, as festas de finais de ano com a família toda reunida, os 'amigo-ocultos', as deliciosas abóboras carameladas que minha Vózinha cozinhava, as caçadas de lesmas e minhocas com meu Avô, o meu Avô...
Rosário do Sul têm 41 mil habitantes.
Têm também 47 mil mortos.
Há mais mortos do que vivos na cidade. É quase uma cidade 'fantasmagórica'.
Paga para ver? Apareça lá e vá até o cemitério... enorme, imenso! Um exército!
A minha sensação ao colocar o pé dentro do cemitério foi, no mínimo, de ansiedade.
Meu avô faleceu há quase 3 anos. Não compareci no velório. Não compareci ao enterro. A notícia chegou tarde demais até à mim. Chegar na casa de minha Avó e não vê-lo foi muito estranho...
Ele sempre, sempre me esperava com um sorriso estampado na face e soltava um 'Oi minha filha'. Foi doloroso ver as coisas dele ainda lá, intactas. A casa ainda tem muito dele: fotos, objetos, cheiro... a essência dele ainda reside lá.
E quando me deparei, com a foto dele naquela lápide não resisti e caí no choro. Me abraçei na minha tia e desabafei "Cheguei tarde demais!"
Eu não me ajoelhei perante a lápide. Eu não toquei na foto dele. Não falei em voz alta.
A minha despedida foi feita ali, frente à frente, mentalmente, de coração para coração, de alma para alma. Eu, meu choro e minha despedida mental. Por incrível que pareça, naquele triste instante de choro, de angústia, de perda, de dor, o Sol apareceu naquele céu cinzento daquela segunda-feira. Não sei o que você pensa disso, mas para mim, Taísa, aquilo foi um sinal: era ele, meu amado e adorado Avô que estava em sintonia comigo.
Não pude deixar de sentar no meu banquinho.
Bem, quando eu tinha um ano de idade, o meu Avô fez um banquinho de madeira para eu sentar sempre ao lado ele, enquanto ele degustava do seu tradicional chimarrão. O famoso banquinho existe até hoje. Tentei trazê-lo, mas foi em vão... Minha Avó disse que o banquinho tem que ficar lá, pois assim eu posso voltar mais vezes. Sentar naquele banquinho, foi recordar todos os doces momentos que vivi ao lado do meu Avô...
E é assim que me recordo dele: sorridente, amoroso, cuidadoso, feliz da vida com a família reunida, simples, de coração. Tudo permanece exatamente igual. Não pronuncio o nome dele com tom de tristeza, e sim com doçura.
O que quer que tenhamos sido um para o outro, ainda somos.
"Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda minha vida"
(Tom Jobim)
Por hoje é isso.
Obrigada por visitarem meu cantinho.
Luz e Paz.
Namastê!
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